21/08/2016 Sobre privilégio e o dever de ficar calado

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Olá! Meu nome é Carla. Sou branca, heterossexual, cisgênero, estou dentro do que é considerado “peso ideal”, e segundo este teste aqui, pertenço à Classe Média Intermediária. Em outras palavras, sou uma pessoa privilegiada.

Privilegiada porque, pela minha cor de pele, ninguém fica espantado quando digo que sou formada em uma faculdade, nunca fui ofendida nem ameaçada por beijar em público, nunca tive conflito com meus próprios órgãos sexuais, as pessoas não me julgam quando eu sento numa lanchonete para comer um sanduíche cheio de maionese e batata frita, e não tenho que escolher entre me alimentar ou comprar remédio para os meus filhos.

A única coisa que me torna vitima de preconceito é o fato de eu ser mulher. Porque, sim. Quando digo que sou formada em Processamento de Dados, ou que trabalho com manutenção de computadores, frequentemente as pessoas me fazem “testes” para saber se entendo mesmo disso, porque parece muito absurdo que uma mulher possa saber trocar uma placa de vídeo, ou saber a diferença entre MBR e GPT.  Para o homem, basta mostrar que sabe um pouco sobre o assunto para ser considerado bom. A mulher precisa provar que sabe mais do que todos os homens, para ser considerada aceitável.

Mas, ainda assim, eu sou uma pessoa privilegiada. Se já é difícil para uma mulher branca de classe média convencer as pessoas de que entende de informática, imagina se eu fosse negra! E se ainda fosse pobre?

O que me diferencia de outros privilegiados, é que eu não sou cega. Eu sei que tenho vários privilégios em relação a outras pessoas e sei que isso é errado pra caramba! Mas uma coisa que eu não sei, é o que essas pessoas não-privilegiadas sofrem. Eu posso até imaginar, posso até presenciar e chorar por causa delas, mas depois eu vou voltar para o conforto do meu lar, vou encher meu estômago com comidas gostosas, receber amor dos meus cachorros (que estão todos bem alimentados e com as vacinas em dia) e apoio da minha família e dos meus amigos que me amam e me aceitam, jogar uns joguinhos aqui no meu computador e dormir na minha caminha macia e confortável.  Elas não. Eu vou chorar por elas, vou lutar ao lado delas, vou erguer bandeiras junto com elas, mas jamais serei elas. Então, eu não posso falar por elas, e não posso achar que sei mais dos problemas delas, do que elas mesmas. Porque esse, infelizmente, é um dos grandes erros dos privilegiados. Achar que têm condições de compreender melhor os problemas dos outros do que eles mesmos.

Não. Apenas parem, por favor.

É por isso que nós batemos sempre na mesma tecla: Quem sabe o que é racismo são pessoas não-brancas. Quem sabe o que é machismo são as mulheres. Quem sabe o que é homofobia são os homossexuais. Quem sabe o que é gordofobia são os gordos. Quem sabe o que é preconceito de classe são os pobres. E assim por diante.

Não é difícil, gente. Não é mesmo.  Nós precisamos aprender a nos calar quando o assunto não nos diz respeito. Isso é o básico, apenas o básico, para deixarmos de ser esse bando de babacas privilegiados que acham que sabem de tudo.

Vamos colocar nas nossas cabecinhas que, quando se trata de algo que nós não somos, ficar calado não é um direito, é um dever.

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18/08/2016 Filmes para sair da bad

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Antes de mais nada, preciso explicar o que é a bad. A bad é aquele momento em que você não se sente bem consigo mesmo. Não é, necessariamente, um momento ruim na sua vida. Apenas um sentimento ruim que nos assola de vez em quando e nos deixa com a sensação de que não vamos conseguir fazer nada de bom, útil, ou significante.  Ou apenas um desânimo generalizado com relação a tudo. A bad pode vir depois de uma falha profissional, depois de um fora daquela garota que você gosta, depois de se olhar no espelho e achar que nada lhe cai bem, ou quando está na TPM. Enfim, a bad pode vir a qualquer momento, e de várias formas diferentes.

Mas é preciso observar, porque se você se sente frequentemente na bad, talvez seu problema não seja uma simples tristeza momentânea, e procurar a ajuda de um profissional é essencial.

Agora, se o seu caso é realmente uma bad, então saiba que, muitas vezes, sair dela é mais fácil do que parece. Claro que não é universal. Essas dicas não servem para todo mundo, e talvez você precise se conhecer melhor e identificar o que funciona no seu caso. Mas eu garanto que vale a pena tentar. Quem sabe você também não se identifica? ;)

Para mim, o que funciona é fazer coisas que me deixam feliz. Eu adoro cachorros, filmes, livros, animes e algumas séries, portanto, o meu remédio costuma se encontrar dentre um deles. Esse post vai focar nos filmes.

Quando estou mal, gosto de assistir filmes que me fazem sorrir, mas não comédias. Tenho um preconceito absurdo com comédias em geral, e normalmente prefiro filmes que têm aquele alívio cômico, sem a obrigação de serem engraçados.

Under the Tuscan Sun – Sob o Sol da Toscana

Eu queria ter encontrado trailer legendado, mas não achei um. =/

Frances era uma autora de sucesso, com um casamento maravilhoso e uma vida de sonhos. Até que tudo mudou. Seu marido a traiu, pediu divórcio, ela teve que vender a casa onde morava e entrou numa bad terrível. Depois de quase um ano morando num prédio de fracassados, sua melhor amiga resolve lhe dar um presente: uma viagem romântica pela Toscana… com um grupo gay. Durante a viagem, Frances se apaixona por uma antiga casa à venda e, numa louca, resolve comprá-la.

Uma mulher com a vida “arruinada” gasta todo o dinheiro que tem comprando uma casa num país do qual o idioma ela nem entende. Quer ideia melhor?

Esse filme é delicioso em vários aspectos. A protagonista começa a se envolver com o jeito interiorano e rústico da Toscana, e vai descobrindo o lugar aos poucos, vivendo novas experiências, fazendo amizades e crescendo pessoalmente.

Eu li o livro antes de assistir o filme, e esse é um daqueles raros casos em que o filme consegue ser melhor. A história é mais interessante do que a original, e mais bem trabalhada também.

 

Ookami Kodomo no Ame to Yuki – Crianças Lobo

De novo, só achei com legendas em inglês. ._.

O filme conta a história da Hanna, uma mocinha alegre e simpática, que se apaixona por um homem-lobo e juntos, têm dois filhos: a Yuki e o Ame. Ambos são meio humanos, meio lobos. Mas pouco tempo depois do nascimento do Ame, Hanna perde o marido, e tem que aprender a cuidar das duas crianças-lobo sozinha. Ela decide, então, se mudar para uma cidadezinha do interior, onde as crianças podem ter mais liberdade para se descobrirem e decidirem seus próprios destinos.

Esse filme é tão delicado, e tão bonito, que eu não me canso de assistir. Percebem como a temática é relativamente parecida com a do filme anterior? Pessoa que se muda para o interior a fim de refazer a vida. Gosto muito desse tema. =) E ver o amadurecimento das crianças, e como a Hanna precisa lidar com as transformações e obstáculos do dia-a-dia é inspirador.

 

A Nova Onda do Imperador

Eu disse que não gosto de comédias? Então abro uma exceção. Porque, embora seja tecnicamente um filme infantil, ele está classificado como comédia.

A minha relação com esse filme é interessante. Um dia, eu estava assistindo ao filme quando meu então marido chegou em casa, parou ao meu lado e disse “Você não está bem, né… Você sempre assiste esse filme quando não está bem”. Sim! Porque bastam algumas cenas de Yzma e Kuzco para me fazer rir de rachar, e não tem bad que resista a uma boa gargalhada.

Além disso, Selton Mello e Marieta Severo conseguem dar aquele toque MARAVILHOSO aos seus personagens. É um filme que eu recomendo assistir dublado.

 

La Delicatesse – A Delicadesa do Amor

Nathalie tinha uma vida maravilhosa, com o marido perfeito e o emprego dos sonhos. Mas seu marido morre em um acidente e, profundamente magoada, embarca numa obsessão pelo trabalho, evitando qualquer tipo de relacionamento mais profundo com as pessoas. Até que, num dia particularmente desesperador, ela impulsivamente beija seu colega de trabalho Markus, e uma história divertida e inesperada se desenrola entre eles.

Um ponto que considero muito interessante no filme é que Markus não é um exemplo de beleza padrão e Nathalie acaba sofrendo grande pressão dos amigos e colegas por causa disso. Ela é linda e atraente, ele não. “Você pode conseguir algo melhor”, eles dizem. Mas o filme esfrega na cara da sociedade que aparência física não quer dizer nada e que as pessoas, muitas vezes, deixam escapar amores sinceros e verdadeiros por estarem preocupadas demais com as aparências.

 

Intouchables – Intocáveis

Philippe é um milionário tetraplégico que precisa de um acompanhante. Driss é um desempregado que precisa apenas de uma assinatura no documento da agência de empregos, comprovando que esteve na entrevista, para conseguir o seguro desemprego. Ele não está interessado na vaga, apenas no dinheiro, mas Philippe gosta do jeito dele e tenta convencê-lo a aceitar o cargo.

Esse filme entrou para a minha lista muito recentemente. Não fazia ideia de que ele existia, até um amigo me recomendá-lo. Era cerca de 2h da madrugada, eu tinha acabado de me mudar para essa casa onde estou morando agora, e fiquei realmente preocupada que minhas gargalhadas incomodassem os vizinhos. Não me divertia tanto com um filme havia anos!

 

Brave – Valente

Precisa de sinopse, gente?

Brave tem sido um dos filmes da Disney/Pixar mais comentados desde o seu lançamento em 2012. A história da princesa Merida, que cresce com um espírito livre e habilidades de uma guerreira, mas se vê obrigada, pela tradição, a se casar com um dos primogênitos dos reinos vizinhos, e decide tomar as rédeas do próprio destino, desafiando as tradições, contrariando sua mãe, e mudando o destino de todos.

Esse filme, além de inspirador, é uma das mais bonitas animações já produzidas. As paisagens, a ambientação nas Terras Altas da Escócia, o sotaque (Gente, o sotaque!! <3 Assistam esse filme legendado, por favor), uma trilha sonora maravilhosa, e uma história linda. Não tem como não se apaixonar. =) E é de levantar o ânimo de qualquer um, convenhamos.

 

Há outros filmes que eu gostaria de, pelo menos, citar. Porque também os assisto com frequência para sair da bad, embora nem sempre: 

  • Le fabuleux destin d’Amélie Poulain – O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
  • Momo e no Tegami – Carta para Momo (esse filme é muito amorzinho, gente <3)
  • Tonarin no Totoro – Meu Vizinho Totoro
  • Serviço de Entregas da Kiki
  • Divines Secrets of Yaya Sisterhood – Divinos Segredos
  • Practical Magic – Da Magia à Sedução

 

Espero que gostem das dicas. E se assistirem, voltem aqui para me dizer o que acharam. =)

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24/11/2015 Sobre mulheres “machistas”

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Ontem eu li uma postagem que me deixou muito triste. A Jessica, do Canal das Bee, informou que os seguidores do Bolsonaro estavam se unindo para denunciar a página no Facebook, e “descurtindo” os vídeos do canal no YouTube, com a intenção de derrubar ambos.

Quando abri a postagem original dela no Facebook, vi os comentários de centenas de pessoas, homens e mulheres, atacando-a de todas as formas possíveis. Quando questionados sobre o motivo de estarem fazendo aquilo, a resposta é “Não é porque ela é feminista, ou porque ela é gorda. É porque não gostamos do conteúdo dos vídeos”. Mas os comentários eram, em geral, xingamentos, ofensas contra feministas, ofensas contra gordas, ofensas contra lésbicas, ofensas contra homossexuais. Ofensas, ofensas, e mais ofensas. O que prova que a motivação é exatamente o que eles dizem não ser, e prova que eles são machistas, homofóbicos, gordofóbicos (E como eles odeiam qualquer termo que termine com “fóbico”!), entre outros.

Mas a questão não é essa. Homens machistas, privilegiados pelo patriarcalismo, não nos surpreendem agindo dessa forma. São mimados, infantis, como aquela criança que, quando começa a perder no jogo, derruba o tabuleiro e não deixa mais ninguém brincar. O que me surpreendeu, de verdade, foi a quantidade de mulheres agindo da mesma forma, atacando-a por ser feminista, por ser lésbica, por ser gorda, atacando-a de todas as formas, incapazes de enxergar que elas são exatamente iguais a nós.

Delas, eu fiquei com pena. São tão confiantes de que ficar ao lado do patriarcalismo, e agir conforme as regras do jogo dele, as tornam protegidas, superiores, iguais aos homens, que sequer questionam se é assim mesmo que funciona. Me lembram aqueles negros, escravos, que se tornavam capatazes. Puniam seus irmãos, ajudavam os brancos, seus donos, a manter os outros negros “na linha”. Com isso, se julgavam numa posição privilegiada, superior aos outros negros. Quase esqueciam que ainda eram escravos, e que, quando fosse conveniente ao branco, seriam tratados exatamente como todos os outros.

Para essas mulheres, eu tenho um recado:

Um dia, o patriarcalismo vai se voltar contra você. Não é uma suposição, é uma certeza. Porque isso vai acontecer. Na verdade, já aconteceu, você só ainda não percebeu. Ele é contra você. E se manifesta nas pequenas coisas do seu dia-a-dia. Naqueles pais que dizem que você precisa “cuidar” da casa porque é a única filha mulher. Naquele namorado que tenta ditar o que você pode vestir. Naqueles familiares que estão sempre cobrando de você um casamento, e filhos, sem se importar com a sua carreira. Naquele patrão que te paga um salário menor do que o dos seus colegas homens. Naquele cara que ameaça vazar suas fotos nuas se você não fizer o que ele quer. Naquele marido que não faz nenhuma tarefa doméstica e ainda te cobra se você não fizer. Naquele parceiro que te convence de que é sua obrigação fazer sexo com ele. Naquele sentimento de que você precisa ser mais magra, mais sarada, mais bonita, mais alguma coisa, para ser aceita pela sociedade. Até mesmo nesse sentimento de que está tudo bem, porque você já é tudo isso.

Você ainda não é capaz de perceber que o patriarcalismo não está ao seu lado, porque segue as regras. Mas, um dia, em algum momento da sua vida, você vai estar cansada demais para arrumar a casa, e vai ser castigada por isso; vai querer usar uma roupa que te deixa sexy, e será chamada de puta; vai querer focar na sua carreira profissional, sem pensar em marido e filhos, e vai ser chamada de titia, fracassada, mal amada; vai querer um salário igual aos dos seus colegas, ou melhor, e vai correr o risco de ser demitida; vai querer denunciar o cara que te ameaçou, e as pessoas vão dizer que a culpa é sua; não vai estar a fim de fazer sexo com o seu marido, e ele vai ameaçar te trair; vai engordar alguns quilinhos, ou emagrecer mais do que a sociedade considera aceitável, e será chamada de relaxada, gorda, vareta, etc… E aí, talvez, perceba que o patriarcalismo não se voltou contra você. Na verdade, ele nunca esteve ao seu lado.

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Quando isso acontecer, quando o patriarcalismo e o machismo mostrarem a sua verdadeira face, nós, feministas, vamos estar aqui. Mas não vamos julgá-la. Não vamos dizer “eu avisei”, não vamos dizer que “você mereceu, porque não acreditou em nós”. Não vamos fazer nada disso, porque sabemos exatamente o que você está passando. Sabemos como é estar no seu lugar, porque todas nós já estivemos aí.
Quando você acordar para a verdade, vamos estar de braços abertos para te receber, te ajudar, te confortar e, sempre que necessário, lutar ao seu lado.
E vamos dizer, com todo orgulho: Seja bem-vinda!

Porque você ainda não é capaz de enxergar, mas nós não somos inimigas, não somos rivais, somos irmãs, e precisamos ficar juntas.

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13/08/2015 Vamos falar sobre filhos então?

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Tem gente que não gosta de chocolate. Ok.  Tem gente que não gosta de pizza. Ok. Tem gente que não gosta de cachorro (mas não maltrata, veja bem). Ok também. Tem gente, inclusive, que não gosta de nenhum dos três, e está tudo ok, tudo de boa. Gosto não se discute, se respeita. As pessoas deviam aceitar isso e seguir com suas vidas normalmente.

 

Peguei a tirinha na página do Deboismo, mas se alguém tiver ideia de quem é o autor da ilustração, me fala?
 Peguei a imagem já alterada na página do Deboismo, e ficarei muitíssimo grata se me informarem quem é o autor original da ilustração.

 

Mas eu… Bem… Eu não gosto de criança. E a sociedade parece não estar nada “ok” com isso.

Crianças fazem pirraça, têm mania de barulho, necessidade de chamar atenção, e várias outras características que eu não gosto, logo, posso resumir tudo dizendo apenas que não gosto de criança. E não venha me dizer que isso é preconceito, porque eu tenho 6 sobrinhos e já dei aula para mais de 200 crianças entre 2 e 12 anos. Não é preconceito. É um conceito muito bem formado.

Logo, se eu não gosto de criança, você já pode imaginar que ter filhos não está (nem nunca esteve) nos meus planos. Mas, da mesma forma que a sociedade me vê como uma espécie de psicopata sempre que afirmo não gostar de criança, eu viro uma espécie de ser alienígena mutante toda vez que pronuncio a frase “Não quero ter filhos”, e todos à minha volta parecem querer “me curar” desse pensamento “absurdo”.

Pois é… Então, vamos esclarecer algumas coisas.

 

Mas quem vai cuidar de você quando ficar velha?

Gente, é sério isso mesmo? Se você coloca filho no mundo com o objetivo de ter segurança e companhia ao envelhecer, saiba que é muito mais barato, e seguro, economizar o dinheiro que você gastaria ao longo dos anos com o seu filho, e pagar uma boa casa de repouso para morar na velhice, ou contratar alguém para tomar conta de você.

 

Uma hora o seu relógio biológico vai falar mais alto

Meu bem, meu relógio biológico só serve para não me deixar perder a hora do trabalho, e fazer meu intestino funcionar na hora certa, e, mesmo assim, eventualmente ele falha, nas duas coisas. Se existe algum relógio biológico para filhos aqui dentro, alguém esqueceu de colocar bateria.

 

Você não vai deixar herdeiros? Para quem vai passar os seus bens quando morrer?

Por bens você quer dizer o meu computador, meu celular, uma bicicleta quebrada e uma dúzia de roupas? Se for isso, acho que um bazar beneficente faria bom proveito. E, sinceramente? Depois que eu morrer, quem vai se preocupar com o que fica com quem, não sou eu.

 

Ter filhos é ótimo! É a melhor experiência da vida de uma mulher.

Poxa, que bom que você pensa assim! Deve ser uma boa mãe. Mas, veja bem, tem gente que viaja de avião e acha ótimo, tem gente que nunca mais quer colocar os pés naquela coisa, e uns que preferem nem chegar perto. O que é bom para você, não necessariamente vai ser bom para mim.

 

Você está indo contra a ordem natural das coisas.

A ordem natural das coisas seria os seres humanos não tomarem vacinas e soros para combater as doenças. Dessa forma, as pessoas fracas morreriam, as pessoas fortes sobreviveriam, e as doenças deixariam de existir com o tempo, porque os sobreviventes seriam naturalmente imunes e passariam a imunidade para seus filhos. Então, não me venha com essa história de “ordem natural das coisas”.

 

Mas e se você engravidar?

Essa é a grande pergunta! Porque quando uma mulher diz que não quer ser mãe, algumas pessoas começam a desejar intensamente que ela engravide. Não sei se por sadismo, ou se por necessidade de descontar as suas próprias frustrações, mas desconfio de que algumas fazem até simpatia para a pobre coitada engravidar.

Pois veja bem. Eu, sendo uma mulher que não quer filhos, tomo meus cuidados. Mas a gente sabe que o único método contraceptivo 100% eficaz, é a retirada do útero e dos ovários. E como as nossas leis não permitem que uma mulher faça isso apenas por querer, sempre existe o risco.

E eu lido com esse risco pensando da seguinte forma: “Se rolar, rolou”. E é isso. Como todos os problemas da vida, a melhor forma de lidar com eles, é aceitar que eles existem e seguir em frente. =)

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13/07/2015 A beleza de mudar

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As pessoas mudam, aceite isso.

Mudar não é ruim. Nós vamos adquirindo conhecimento ao longo de nossas vidas, vamos convivendo com pessoas novas, experimentando o mundo à nossa volta, e isso faz com que repensemos nossos ideais, nossas ideias, nossas opiniões. Mudar é saudável, faz parte do processo de amadurecimento.

brabuletasA imagem mais clichê do mundo, para ilustrar como mudar pode ser legal! :)

Pensando assim, você deve dizer “Ainda bem, né?”. Mas, o mais chocante, é que muita gente não pensa dessa forma. Algumas pessoas têm uma resistência tão grande à mudança, que se sentem incomodadas, irritadas, quando percebem que outras pessoas passam por esse processo, e começam a desferir ofensas, como se mudar fosse algo muito ruim.

 

Outro dia, conversando com um colega sobre relacionamentos abusivos, eu estava explicando como não devemos julgar a mulher que não consegue largar o marido abusivo, chamando-a de “mulher de malandro”, porque sair de relacionamentos assim é muito difícil, e que é necessário avaliar a situação a fundo para entender os motivos dessa mulher, ao invés de dizer apenas que “se está com ele é porque gosta de apanhar”. Eis a minha surpresa quando a pessoa riu alto e disse “Isso é hipocrisia sua, porque não tem muito tempo, você mesma disse que se a mulher está com um cara que bate nela, é porque gosta de apanhar”.

Sim, eu costumava dizer coisas assim. Até piores! Quando era pequena, morria de medo de cachorro e achava que ser chamada de “menina” era uma ofensa inaceitável. Na minha adolescência, achava que homossexualidade era opção (ou vontade de chamar atenção), que chorar era coisa de gente fraca, que depressão era frescura, e que eu sabia de tudo. E há pouco mais de um ano, achava que funcionário público concursado ganhava dinheiro fácil, sem precisar trabalhar (LEDO ENGANO).

Se nós fôssemos incapazes de mudar de opinião, eu seria um ser humano muito pior do que sou hoje.

Então, vamos abraçar as mudanças, sem medo, sem preconceito, sem julgamentos. Você não é “sem personalidade” porque muda de opinião, mas tem chance de ser uma pessoa excessivamente insegura, se a possibilidade de mudar te assusta tanto.

Procure ajuda.

BEIJOS!

 

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