29/01/2018 Mulheres para curtir no K-pop

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Quem me segue nas redes sociais sabe que a minha vida agora (tirando meus cachorros) consiste 90% de k-pop. Fui abençoada com a existência desse que é mais do que um estilo musical, é todo um complexo cultural, lá no primeiro semestre de 2016, e desde então meus interesses foram consumidos quase completamente pelo k-pop, ao ponto de eu estar aprendendo coreano (mesmo sem intenção de ir para a Coreia).

Não vou ficar aqui explicando o que é o k-pop, porque isso renderia um livro inteiro, mas vou dizer que, mesmo sendo feminista, logo de início não conseguia gostar das mulheres e grupos femininos do k-pop. Isso porque o “padrão” para grupos e artistas femininas é o conceito “fofo”. Ou seja, vozes quase infantis, roupas coloridas em tons pastéis, traços e trejeitos infantilizados, danças pouco elaboradas e MVs (clipes) cheios de aegyo (termo que define essas expressões fofas e infantilizadas).

Antes de mais nada, um adendo: Eu não estou dizendo que este conceito está errado, ou é ruim. Muito menos estou desmerecendo as artistas! Nem de longe eu gostaria de fazer isso, porque todas elas são extremamente talentosas, esforçadas, e dão o sangue (muitas vezes literalmente :/ ) pelo trabalho e pelos fãs. Então, gente, por favor, não confundam as minhas palavras. Eu admiro muito essas meninas, só não gosto do estilo de música e conceito que elas seguem. Ponto.

Não é a minha praia. Acostumei com Spice Girls, cheias de girl power, Beyoncé, Lady Gaga, Pink… Não seria capaz de me adaptar a este retrógrado estilo onde as meninas são todas “comportadinhas”, “delicadinhas”, “inocentes”, etc.

Mas, como uma imagem (nesse caso, um vídeo) vale mais do que mil palavras, não adianta eu ficar aqui tentando explicar esse conceito irritantemente fofo sem dar uma amostra. Com vocês, Twice – Knock Knock:

 

Não dá. Não sou capaz de gostar desse conceito, mesmo que os coreanos fiquem tentando me enfiar ele goela abaixo. O problema é que lá, e em boa parte do mundo, esse é o tipo de k-pop que espera-se de grupos femininos. É mais do que um padrão, é uma imposição cultural. Digo isso porque cheguei a conhecer diversos grupos que tentaram conceitos mais evoluídos e audaciosos (e que eu simplesmente AMEI), mas acabaram deixando de existir por falta de apoio tanto do público, quanto das empresas de entretenimento coreanas. Grupos como Miss A, 2NE1, 4MINUTE, etc.

Mas essa minha falta de vozes femininas na playlist vem me incomodando há algum tempo e, por isso, comecei a garimpar pela maravilhosa rede de informações chamada páginas de k-pop no Facebook e consegui, finalmente, encontrar grupos e artistas ativas que fisgaram meu coração.

 

MAMAMOO (마마무)

Grupo formado em 2016 pela empresa Rainbow Bridge World, possui quatro integrantes:  Solar, Moonbyul, Wheein e Hwasa. Elas já começaram com um conceito totalmente diferente daquilo que “se espera” de girlgroups coreanos, com vozes poderosas e MVs cheios de personalidade. Seu lançamento mais recente é “Paint Me”, com uma música um pouco mais escura do que as lançadas até então, mas igualmente linda e cativante.

 

Uma das minhas músicas preferidas delas é Decalcomanie, por causa da batida mais animada e essa puxada mais para o Jazz.

 

Sunmi (선미)

Ex-integrante do grupo Wonder Girls, encerrado no início de 2017, atualmente em carreira solo pela MakeUs Entertainment.

Essa eu confesso que foi uma excelente surpresa para mim, porque quando a música “Gashina” começou a estourar em todos os charts, fiquei bastante relutante a ouvir por causa do preconceito criado depois de tantas decepções com grupos femininos. Mas quebrar essa barreira foi uma das melhores coisas que fiz, porque a Sunmi vem mostrando exatamente o tipo de música marcante e forte que me agrada.

Seu lançamento mais recente é “Heroine”:

Mas vale a pena conferir o sucesso que foi “Gashina” também, porque não deixa nada a desejar para os sucessos de grupos e artistas masculinos da atualidade:

 

BLΛƆKPIИK (블랙핑크)

Grupo formado pela YG Enternenment em 2016, é composto por quatro membros: Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa.

Embora seja um grupo bem recente, com pouco mais de um ano de história, essas meninas fazem um sucesso estrondoso, tanto dentro quanto fora da Coreia. Músicas enérgicas com visual marcante e letras que falam de mulheres de personalidade forte, donas de si, com desejos e sentimentos legítimos. Blackpink começou a fazer tanto sucesso fora da Coreia que algumas pessoas americanos insistem em dizer que elas não são k-pop (pop coreano) e sim a-pop (pop americano), numa tentativa de tomar para si a importância e o talento dessas meninas.

E elas mostram todo o talento que têm trabalhando em diversos estilos de música sem perder a qualidade.

 

CL (씨엘)

CL era líder do grupo feminino 2NE1, da empresa YG, encerrado em 2016.

Ela lançou seu primeiro single com solista The Baddest Female em 2013 e, embora já esteja há algum tempo sem lançar músicas novas, continua na ativa como artista solo, e seu primeiro single lançado nos EUA ‘Lifted’ apareceu no Top 30 do Hip-Hop / Rap do iTunes em três horas após ser lançado.

A CL é daquele tipo de artista que segurou as rédeas da própria vida e segue fazendo sucesso em diversas áreas, sempre mantendo a personalidade de “não mexe comigo, garoto”. Ou seja, a raiz do girl power no k-pop.

 

Amber (엠버)

Por último, e não menos importante (pelo contrário, porque eu amo essa mulher e vou protegê-la para sempre), temos a rainha das redes sociais, Amber Liu. Integrante do grupo F(x), da SM Enterteinment, Amber é uma daquelas artistas completas, que além de cantar muito bem, compõe, é rapper, dançarina, e este ser humano MARAVILHOSO que vos apresento:

Apenas o fato dela ser essa pessoa que não se identifica com os padrões de gênero, e que faz um MV com a família e os amigos em cima do prédio onde mora, já devia ser motivo suficiente para amar Amber Liu. Mas, ela consegue ser muito mais do que isso. Vocês podem imaginar que, especialmente na Coreia, com esse corpinho maravilhoso e esse estilo tomboy (estou usando o termo só para ilustrar, porque ela não gosta de ser rotulada assim), Amber não é exatamente bem-vista pela sociedade. Ela poderia abaixar a cabeça e se sentir oprimida como tantas outras mulheres, mas não. Amber Liu responde aos haters da seguinte forma:

Eu não sei como definir esta mulher além de DEUSA!!!

 

Menções Honrosas

Infelizmente, ainda conheço poucas artistas coreanas que realmente me agradam, e que ainda estejam na ativa. A grande maioria foi perdendo espaço para o padrão que ainda é forçado e “esperado” das mulheres na Coreia.

Eu realmente me apaixonei por alguns desses grupos bem depois deles terem sido desfeitos pelas empresas que os mantinham, e gostaria de deixar um gostinho do que o k-pop perdeu aqui para vocês:

 

Bom, gente, é isso. Este promete ser apenas o primeiro entre muitos posts a respeito de k-pop que devo fazer aqui, uma vez que minha vida está realmente sendo absorvida por este buraco negro de amor e felicidade, e eu espero que vocês possam tirar algum proveito dele. ;)

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