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15/04/2018 A Auto-Sabotagem da Ditadura da Beleza

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Venho planejando escrever sobre isso há muito tempo, mas nunca sei exatamente o que dizer, ou como dizer. É difícil colocar determinadas coisas em palavras porque elas mexem com uma parte muito íntima nossa, com coisas que fingimos não existirem, e transformá-las em texto lhes dá uma face, um rosto que nos provoca bastante medo.

Antes de tudo, vamos começar admitindo que a nossa sociedade é uma bosta governada por esses padrões de beleza inalcançáveis em que uma pessoa (especialmente as mulheres) só é vista como boa o suficiente se tiver as proporções consideradas “ideais” em termos de aparência física. Essa é a verdade nua e crua. E é uma coisa cultural, enraizada na sociedade, passada de geração para geração e gravada nas nossas mentes desde o momento em que nascemos, até nosso último suspiro. É algo tão profundo, tão bem plantado e cultivado nas nossas cabeças, que se torna quase impossível escapar, mesmo depois de tomar plena consciência do problema e decidir mudar isso.  (mais…)

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16/09/2016 Emagrecer não é mais importante do que a sua saúde!

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Ultimamente, uma das coisas que mais ouço é o “Nossa, como você emagreceu!” e suas variantes. Tipo “Você está fazendo dieta?”, ou “Me conta o segredo para emagrecer assim!”. As frases são, quase sempre, respondidas com um “Intolerância à lactose” (exceto quando eu estou com o humor mais ácido, aí pode variar entre “É o divórcio. Homem só serve pra fazer a gente engordar” e “Não como, não bebo, faço fotossíntese”). (mais…)

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21/08/2016 Sobre privilégio e o dever de ficar calado

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Olá! Meu nome é Carla. Sou branca, heterossexual, cisgênero, estou dentro do que é considerado “peso ideal”, e segundo este teste aqui, pertenço à Classe Média Intermediária. Em outras palavras, sou uma pessoa privilegiada.

Privilegiada porque, pela minha cor de pele, ninguém fica espantado quando digo que sou formada em uma faculdade, nunca fui ofendida nem ameaçada por beijar em público, nunca tive conflito com meus próprios órgãos sexuais, as pessoas não me julgam quando eu sento numa lanchonete para comer um sanduíche cheio de maionese e batata frita, e não tenho que escolher entre me alimentar ou comprar remédio para os meus filhos.

A única coisa que me torna vitima de preconceito é o fato de eu ser mulher. Porque, sim. Quando digo que sou formada em Processamento de Dados, ou que trabalho com manutenção de computadores, frequentemente as pessoas me fazem “testes” para saber se entendo mesmo disso, porque parece muito absurdo que uma mulher possa saber trocar uma placa de vídeo, ou saber a diferença entre MBR e GPT.  Para o homem, basta mostrar que sabe um pouco sobre o assunto para ser considerado bom. A mulher precisa provar que sabe mais do que todos os homens, para ser considerada aceitável.

Mas, ainda assim, eu sou uma pessoa privilegiada. Se já é difícil para uma mulher branca de classe média convencer as pessoas de que entende de informática, imagina se eu fosse negra! E se ainda fosse pobre?

O que me diferencia de outros privilegiados, é que eu não sou cega. Eu sei que tenho vários privilégios em relação a outras pessoas e sei que isso é errado pra caramba! Mas uma coisa que eu não sei, é o que essas pessoas não-privilegiadas sofrem. Eu posso até imaginar, posso até presenciar e chorar por causa delas, mas depois eu vou voltar para o conforto do meu lar, vou encher meu estômago com comidas gostosas, receber amor dos meus cachorros (que estão todos bem alimentados e com as vacinas em dia) e apoio da minha família e dos meus amigos que me amam e me aceitam, jogar uns joguinhos aqui no meu computador e dormir na minha caminha macia e confortável.  Elas não. Eu vou chorar por elas, vou lutar ao lado delas, vou erguer bandeiras junto com elas, mas jamais serei elas. Então, eu não posso falar por elas, e não posso achar que sei mais dos problemas delas, do que elas mesmas. Porque esse, infelizmente, é um dos grandes erros dos privilegiados. Achar que têm condições de compreender melhor os problemas dos outros do que eles mesmos.

Não. Apenas parem, por favor.

É por isso que nós batemos sempre na mesma tecla: Quem sabe o que é racismo são pessoas não-brancas. Quem sabe o que é machismo são as mulheres. Quem sabe o que é homofobia são os homossexuais. Quem sabe o que é gordofobia são os gordos. Quem sabe o que é preconceito de classe são os pobres. E assim por diante.

Não é difícil, gente. Não é mesmo.  Nós precisamos aprender a nos calar quando o assunto não nos diz respeito. Isso é o básico, apenas o básico, para deixarmos de ser esse bando de babacas privilegiados que acham que sabem de tudo.

Vamos colocar nas nossas cabecinhas que, quando se trata de algo que nós não somos, ficar calado não é um direito, é um dever.

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13/08/2015 Vamos falar sobre filhos então?

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Tem gente que não gosta de chocolate. Ok.  Tem gente que não gosta de pizza. Ok. Tem gente que não gosta de cachorro (mas não maltrata, veja bem). Ok também. Tem gente, inclusive, que não gosta de nenhum dos três, e está tudo ok, tudo de boa. Gosto não se discute, se respeita. As pessoas deviam aceitar isso e seguir com suas vidas normalmente.

 

Peguei a tirinha na página do Deboismo, mas se alguém tiver ideia de quem é o autor da ilustração, me fala?
 Peguei a imagem já alterada na página do Deboismo, e ficarei muitíssimo grata se me informarem quem é o autor original da ilustração.

 

Mas eu… Bem… Eu não gosto de criança. E a sociedade parece não estar nada “ok” com isso.

Crianças fazem pirraça, têm mania de barulho, necessidade de chamar atenção, e várias outras características que eu não gosto, logo, posso resumir tudo dizendo apenas que não gosto de criança. E não venha me dizer que isso é preconceito, porque eu tenho 6 sobrinhos e já dei aula para mais de 200 crianças entre 2 e 12 anos. Não é preconceito. É um conceito muito bem formado.

Logo, se eu não gosto de criança, você já pode imaginar que ter filhos não está (nem nunca esteve) nos meus planos. Mas, da mesma forma que a sociedade me vê como uma espécie de psicopata sempre que afirmo não gostar de criança, eu viro uma espécie de ser alienígena mutante toda vez que pronuncio a frase “Não quero ter filhos”, e todos à minha volta parecem querer “me curar” desse pensamento “absurdo”.

Pois é… Então, vamos esclarecer algumas coisas.

 

Mas quem vai cuidar de você quando ficar velha?

Gente, é sério isso mesmo? Se você coloca filho no mundo com o objetivo de ter segurança e companhia ao envelhecer, saiba que é muito mais barato, e seguro, economizar o dinheiro que você gastaria ao longo dos anos com o seu filho, e pagar uma boa casa de repouso para morar na velhice, ou contratar alguém para tomar conta de você.

 

Uma hora o seu relógio biológico vai falar mais alto

Meu bem, meu relógio biológico só serve para não me deixar perder a hora do trabalho, e fazer meu intestino funcionar na hora certa, e, mesmo assim, eventualmente ele falha, nas duas coisas. Se existe algum relógio biológico para filhos aqui dentro, alguém esqueceu de colocar bateria.

 

Você não vai deixar herdeiros? Para quem vai passar os seus bens quando morrer?

Por bens você quer dizer o meu computador, meu celular, uma bicicleta quebrada e uma dúzia de roupas? Se for isso, acho que um bazar beneficente faria bom proveito. E, sinceramente? Depois que eu morrer, quem vai se preocupar com o que fica com quem, não sou eu.

 

Ter filhos é ótimo! É a melhor experiência da vida de uma mulher.

Poxa, que bom que você pensa assim! Deve ser uma boa mãe. Mas, veja bem, tem gente que viaja de avião e acha ótimo, tem gente que nunca mais quer colocar os pés naquela coisa, e uns que preferem nem chegar perto. O que é bom para você, não necessariamente vai ser bom para mim.

 

Você está indo contra a ordem natural das coisas.

A ordem natural das coisas seria os seres humanos não tomarem vacinas e soros para combater as doenças. Dessa forma, as pessoas fracas morreriam, as pessoas fortes sobreviveriam, e as doenças deixariam de existir com o tempo, porque os sobreviventes seriam naturalmente imunes e passariam a imunidade para seus filhos. Então, não me venha com essa história de “ordem natural das coisas”.

 

Mas e se você engravidar?

Essa é a grande pergunta! Porque quando uma mulher diz que não quer ser mãe, algumas pessoas começam a desejar intensamente que ela engravide. Não sei se por sadismo, ou se por necessidade de descontar as suas próprias frustrações, mas desconfio de que algumas fazem até simpatia para a pobre coitada engravidar.

Pois veja bem. Eu, sendo uma mulher que não quer filhos, tomo meus cuidados. Mas a gente sabe que o único método contraceptivo 100% eficaz, é a retirada do útero e dos ovários. E como as nossas leis não permitem que uma mulher faça isso apenas por querer, sempre existe o risco.

E eu lido com esse risco pensando da seguinte forma: “Se rolar, rolou”. E é isso. Como todos os problemas da vida, a melhor forma de lidar com eles, é aceitar que eles existem e seguir em frente. =)

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13/07/2015 A beleza de mudar

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As pessoas mudam, aceite isso.

Mudar não é ruim. Nós vamos adquirindo conhecimento ao longo de nossas vidas, vamos convivendo com pessoas novas, experimentando o mundo à nossa volta, e isso faz com que repensemos nossos ideais, nossas ideias, nossas opiniões. Mudar é saudável, faz parte do processo de amadurecimento.

brabuletasA imagem mais clichê do mundo, para ilustrar como mudar pode ser legal! :)

Pensando assim, você deve dizer “Ainda bem, né?”. Mas, o mais chocante, é que muita gente não pensa dessa forma. Algumas pessoas têm uma resistência tão grande à mudança, que se sentem incomodadas, irritadas, quando percebem que outras pessoas passam por esse processo, e começam a desferir ofensas, como se mudar fosse algo muito ruim.

 

Outro dia, conversando com um colega sobre relacionamentos abusivos, eu estava explicando como não devemos julgar a mulher que não consegue largar o marido abusivo, chamando-a de “mulher de malandro”, porque sair de relacionamentos assim é muito difícil, e que é necessário avaliar a situação a fundo para entender os motivos dessa mulher, ao invés de dizer apenas que “se está com ele é porque gosta de apanhar”. Eis a minha surpresa quando a pessoa riu alto e disse “Isso é hipocrisia sua, porque não tem muito tempo, você mesma disse que se a mulher está com um cara que bate nela, é porque gosta de apanhar”.

Sim, eu costumava dizer coisas assim. Até piores! Quando era pequena, morria de medo de cachorro e achava que ser chamada de “menina” era uma ofensa inaceitável. Na minha adolescência, achava que homossexualidade era opção (ou vontade de chamar atenção), que chorar era coisa de gente fraca, que depressão era frescura, e que eu sabia de tudo. E há pouco mais de um ano, achava que funcionário público concursado ganhava dinheiro fácil, sem precisar trabalhar (LEDO ENGANO).

Se nós fôssemos incapazes de mudar de opinião, eu seria um ser humano muito pior do que sou hoje.

Então, vamos abraçar as mudanças, sem medo, sem preconceito, sem julgamentos. Você não é “sem personalidade” porque muda de opinião, mas tem chance de ser uma pessoa excessivamente insegura, se a possibilidade de mudar te assusta tanto.

Procure ajuda.

BEIJOS!

 

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