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16/09/2016 Emagrecer não é mais importante do que a sua saúde!

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Ultimamente, uma das coisas que mais ouço é o “Nossa, como você emagreceu!” e suas variantes. Tipo “Você está fazendo dieta?”, ou “Me conta o segredo para emagrecer assim!”. As frases são, quase sempre, respondidas com um “Intolerância à lactose” (exceto quando eu estou com o humor mais ácido, aí pode variar entre “É o divórcio. Homem só serve pra fazer a gente engordar” e “Não como, não bebo, faço fotossíntese”). (mais…)

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21/08/2016 Sobre privilégio e o dever de ficar calado

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Olá! Meu nome é Carla. Sou branca, heterossexual, cisgênero, estou dentro do que é considerado “peso ideal”, e segundo este teste aqui, pertenço à Classe Média Intermediária. Em outras palavras, sou uma pessoa privilegiada.

Privilegiada porque, pela minha cor de pele, ninguém fica espantado quando digo que sou formada em uma faculdade, nunca fui ofendida nem ameaçada por beijar em público, nunca tive conflito com meus próprios órgãos sexuais, as pessoas não me julgam quando eu sento numa lanchonete para comer um sanduíche cheio de maionese e batata frita, e não tenho que escolher entre me alimentar ou comprar remédio para os meus filhos.

A única coisa que me torna vitima de preconceito é o fato de eu ser mulher. Porque, sim. Quando digo que sou formada em Processamento de Dados, ou que trabalho com manutenção de computadores, frequentemente as pessoas me fazem “testes” para saber se entendo mesmo disso, porque parece muito absurdo que uma mulher possa saber trocar uma placa de vídeo, ou saber a diferença entre MBR e GPT.  Para o homem, basta mostrar que sabe um pouco sobre o assunto para ser considerado bom. A mulher precisa provar que sabe mais do que todos os homens, para ser considerada aceitável.

Mas, ainda assim, eu sou uma pessoa privilegiada. Se já é difícil para uma mulher branca de classe média convencer as pessoas de que entende de informática, imagina se eu fosse negra! E se ainda fosse pobre?

O que me diferencia de outros privilegiados, é que eu não sou cega. Eu sei que tenho vários privilégios em relação a outras pessoas e sei que isso é errado pra caramba! Mas uma coisa que eu não sei, é o que essas pessoas não-privilegiadas sofrem. Eu posso até imaginar, posso até presenciar e chorar por causa delas, mas depois eu vou voltar para o conforto do meu lar, vou encher meu estômago com comidas gostosas, receber amor dos meus cachorros (que estão todos bem alimentados e com as vacinas em dia) e apoio da minha família e dos meus amigos que me amam e me aceitam, jogar uns joguinhos aqui no meu computador e dormir na minha caminha macia e confortável.  Elas não. Eu vou chorar por elas, vou lutar ao lado delas, vou erguer bandeiras junto com elas, mas jamais serei elas. Então, eu não posso falar por elas, e não posso achar que sei mais dos problemas delas, do que elas mesmas. Porque esse, infelizmente, é um dos grandes erros dos privilegiados. Achar que têm condições de compreender melhor os problemas dos outros do que eles mesmos.

Não. Apenas parem, por favor.

É por isso que nós batemos sempre na mesma tecla: Quem sabe o que é racismo são pessoas não-brancas. Quem sabe o que é machismo são as mulheres. Quem sabe o que é homofobia são os homossexuais. Quem sabe o que é gordofobia são os gordos. Quem sabe o que é preconceito de classe são os pobres. E assim por diante.

Não é difícil, gente. Não é mesmo.  Nós precisamos aprender a nos calar quando o assunto não nos diz respeito. Isso é o básico, apenas o básico, para deixarmos de ser esse bando de babacas privilegiados que acham que sabem de tudo.

Vamos colocar nas nossas cabecinhas que, quando se trata de algo que nós não somos, ficar calado não é um direito, é um dever.

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24/11/2015 Sobre mulheres “machistas”

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Ontem eu li uma postagem que me deixou muito triste. A Jessica, do Canal das Bee, informou que os seguidores do Bolsonaro estavam se unindo para denunciar a página no Facebook, e “descurtindo” os vídeos do canal no YouTube, com a intenção de derrubar ambos.

Quando abri a postagem original dela no Facebook, vi os comentários de centenas de pessoas, homens e mulheres, atacando-a de todas as formas possíveis. Quando questionados sobre o motivo de estarem fazendo aquilo, a resposta é “Não é porque ela é feminista, ou porque ela é gorda. É porque não gostamos do conteúdo dos vídeos”. Mas os comentários eram, em geral, xingamentos, ofensas contra feministas, ofensas contra gordas, ofensas contra lésbicas, ofensas contra homossexuais. Ofensas, ofensas, e mais ofensas. O que prova que a motivação é exatamente o que eles dizem não ser, e prova que eles são machistas, homofóbicos, gordofóbicos (E como eles odeiam qualquer termo que termine com “fóbico”!), entre outros.

Mas a questão não é essa. Homens machistas, privilegiados pelo patriarcalismo, não nos surpreendem agindo dessa forma. São mimados, infantis, como aquela criança que, quando começa a perder no jogo, derruba o tabuleiro e não deixa mais ninguém brincar. O que me surpreendeu, de verdade, foi a quantidade de mulheres agindo da mesma forma, atacando-a por ser feminista, por ser lésbica, por ser gorda, atacando-a de todas as formas, incapazes de enxergar que elas são exatamente iguais a nós.

Delas, eu fiquei com pena. São tão confiantes de que ficar ao lado do patriarcalismo, e agir conforme as regras do jogo dele, as tornam protegidas, superiores, iguais aos homens, que sequer questionam se é assim mesmo que funciona. Me lembram aqueles negros, escravos, que se tornavam capatazes. Puniam seus irmãos, ajudavam os brancos, seus donos, a manter os outros negros “na linha”. Com isso, se julgavam numa posição privilegiada, superior aos outros negros. Quase esqueciam que ainda eram escravos, e que, quando fosse conveniente ao branco, seriam tratados exatamente como todos os outros.

Para essas mulheres, eu tenho um recado:

Um dia, o patriarcalismo vai se voltar contra você. Não é uma suposição, é uma certeza. Porque isso vai acontecer. Na verdade, já aconteceu, você só ainda não percebeu. Ele é contra você. E se manifesta nas pequenas coisas do seu dia-a-dia. Naqueles pais que dizem que você precisa “cuidar” da casa porque é a única filha mulher. Naquele namorado que tenta ditar o que você pode vestir. Naqueles familiares que estão sempre cobrando de você um casamento, e filhos, sem se importar com a sua carreira. Naquele patrão que te paga um salário menor do que o dos seus colegas homens. Naquele cara que ameaça vazar suas fotos nuas se você não fizer o que ele quer. Naquele marido que não faz nenhuma tarefa doméstica e ainda te cobra se você não fizer. Naquele parceiro que te convence de que é sua obrigação fazer sexo com ele. Naquele sentimento de que você precisa ser mais magra, mais sarada, mais bonita, mais alguma coisa, para ser aceita pela sociedade. Até mesmo nesse sentimento de que está tudo bem, porque você já é tudo isso.

Você ainda não é capaz de perceber que o patriarcalismo não está ao seu lado, porque segue as regras. Mas, um dia, em algum momento da sua vida, você vai estar cansada demais para arrumar a casa, e vai ser castigada por isso; vai querer usar uma roupa que te deixa sexy, e será chamada de puta; vai querer focar na sua carreira profissional, sem pensar em marido e filhos, e vai ser chamada de titia, fracassada, mal amada; vai querer um salário igual aos dos seus colegas, ou melhor, e vai correr o risco de ser demitida; vai querer denunciar o cara que te ameaçou, e as pessoas vão dizer que a culpa é sua; não vai estar a fim de fazer sexo com o seu marido, e ele vai ameaçar te trair; vai engordar alguns quilinhos, ou emagrecer mais do que a sociedade considera aceitável, e será chamada de relaxada, gorda, vareta, etc… E aí, talvez, perceba que o patriarcalismo não se voltou contra você. Na verdade, ele nunca esteve ao seu lado.

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Quando isso acontecer, quando o patriarcalismo e o machismo mostrarem a sua verdadeira face, nós, feministas, vamos estar aqui. Mas não vamos julgá-la. Não vamos dizer “eu avisei”, não vamos dizer que “você mereceu, porque não acreditou em nós”. Não vamos fazer nada disso, porque sabemos exatamente o que você está passando. Sabemos como é estar no seu lugar, porque todas nós já estivemos aí.
Quando você acordar para a verdade, vamos estar de braços abertos para te receber, te ajudar, te confortar e, sempre que necessário, lutar ao seu lado.
E vamos dizer, com todo orgulho: Seja bem-vinda!

Porque você ainda não é capaz de enxergar, mas nós não somos inimigas, não somos rivais, somos irmãs, e precisamos ficar juntas.

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13/08/2015 Vamos falar sobre filhos então?

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Tem gente que não gosta de chocolate. Ok.  Tem gente que não gosta de pizza. Ok. Tem gente que não gosta de cachorro (mas não maltrata, veja bem). Ok também. Tem gente, inclusive, que não gosta de nenhum dos três, e está tudo ok, tudo de boa. Gosto não se discute, se respeita. As pessoas deviam aceitar isso e seguir com suas vidas normalmente.

 

Peguei a tirinha na página do Deboismo, mas se alguém tiver ideia de quem é o autor da ilustração, me fala?
 Peguei a imagem já alterada na página do Deboismo, e ficarei muitíssimo grata se me informarem quem é o autor original da ilustração.

 

Mas eu… Bem… Eu não gosto de criança. E a sociedade parece não estar nada “ok” com isso.

Crianças fazem pirraça, têm mania de barulho, necessidade de chamar atenção, e várias outras características que eu não gosto, logo, posso resumir tudo dizendo apenas que não gosto de criança. E não venha me dizer que isso é preconceito, porque eu tenho 6 sobrinhos e já dei aula para mais de 200 crianças entre 2 e 12 anos. Não é preconceito. É um conceito muito bem formado.

Logo, se eu não gosto de criança, você já pode imaginar que ter filhos não está (nem nunca esteve) nos meus planos. Mas, da mesma forma que a sociedade me vê como uma espécie de psicopata sempre que afirmo não gostar de criança, eu viro uma espécie de ser alienígena mutante toda vez que pronuncio a frase “Não quero ter filhos”, e todos à minha volta parecem querer “me curar” desse pensamento “absurdo”.

Pois é… Então, vamos esclarecer algumas coisas.

 

Mas quem vai cuidar de você quando ficar velha?

Gente, é sério isso mesmo? Se você coloca filho no mundo com o objetivo de ter segurança e companhia ao envelhecer, saiba que é muito mais barato, e seguro, economizar o dinheiro que você gastaria ao longo dos anos com o seu filho, e pagar uma boa casa de repouso para morar na velhice, ou contratar alguém para tomar conta de você.

 

Uma hora o seu relógio biológico vai falar mais alto

Meu bem, meu relógio biológico só serve para não me deixar perder a hora do trabalho, e fazer meu intestino funcionar na hora certa, e, mesmo assim, eventualmente ele falha, nas duas coisas. Se existe algum relógio biológico para filhos aqui dentro, alguém esqueceu de colocar bateria.

 

Você não vai deixar herdeiros? Para quem vai passar os seus bens quando morrer?

Por bens você quer dizer o meu computador, meu celular, uma bicicleta quebrada e uma dúzia de roupas? Se for isso, acho que um bazar beneficente faria bom proveito. E, sinceramente? Depois que eu morrer, quem vai se preocupar com o que fica com quem, não sou eu.

 

Ter filhos é ótimo! É a melhor experiência da vida de uma mulher.

Poxa, que bom que você pensa assim! Deve ser uma boa mãe. Mas, veja bem, tem gente que viaja de avião e acha ótimo, tem gente que nunca mais quer colocar os pés naquela coisa, e uns que preferem nem chegar perto. O que é bom para você, não necessariamente vai ser bom para mim.

 

Você está indo contra a ordem natural das coisas.

A ordem natural das coisas seria os seres humanos não tomarem vacinas e soros para combater as doenças. Dessa forma, as pessoas fracas morreriam, as pessoas fortes sobreviveriam, e as doenças deixariam de existir com o tempo, porque os sobreviventes seriam naturalmente imunes e passariam a imunidade para seus filhos. Então, não me venha com essa história de “ordem natural das coisas”.

 

Mas e se você engravidar?

Essa é a grande pergunta! Porque quando uma mulher diz que não quer ser mãe, algumas pessoas começam a desejar intensamente que ela engravide. Não sei se por sadismo, ou se por necessidade de descontar as suas próprias frustrações, mas desconfio de que algumas fazem até simpatia para a pobre coitada engravidar.

Pois veja bem. Eu, sendo uma mulher que não quer filhos, tomo meus cuidados. Mas a gente sabe que o único método contraceptivo 100% eficaz, é a retirada do útero e dos ovários. E como as nossas leis não permitem que uma mulher faça isso apenas por querer, sempre existe o risco.

E eu lido com esse risco pensando da seguinte forma: “Se rolar, rolou”. E é isso. Como todos os problemas da vida, a melhor forma de lidar com eles, é aceitar que eles existem e seguir em frente. =)

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04/06/2015 Sobre preconceitos que esquecemos

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Hoje em dia, fala-se muito sobre homofobia, racismo, transfobia, intolerância religiosa, gordofobia, etc. Discutem-se várias formas de preconceito, em diversos tipos de ambientes, eu estou achando isso ótimo. Mas existe um tipo de preconceito disfarçado de humor que me incomoda muito e que, infelizmente, se espalha pelas redes sociais como um vírus.

Você já deve ter recebido (ao menos visto algum amigo seu receber) a foto de uma pessoa bem feia com uma legenda no estilo “Quero casar com (insira o nome da pessoa aqui). Onde ela está?”. Parece muito engraçado. As pessoas morrem de rir da cara do fulano que recebeu a imagem, como se a ideia daquela pessoa extremamente feia querer se casar com ele fosse a coisa mais ridícula do mundo.

Bom… Deixa eu te contar uma coisa, que talvez você não tenha entendido. Aquela pessoa “muito feia” é uma pessoa. É um ser humano, que podia ser você, podia ser a sua mãe, podia ser o seu pai, podia ser um amigo muito querido seu. Tenho certeza de que há alguém na sua família que não se encaixa nos padrões de beleza da sociedade e podia ser essa pessoa ali, naquela foto, com milhares de pessoas compartilhando e rindo da cara dela, como se a simples ideia dela ter um sentimento por alguém fosse ridículo. Porque, na cabeça de quem produz e reproduz esse tipo de imagem preconceituosa, uma pessoa fora dos padrões não é um ser humano e, portanto, não pode ter sentimentos, não merece, sequer, ter a sua imagem respeitada na Internet.

Isso é preconceito, gente. Preconceito puro e simples.

dog-smile-nosmileHahaha, que engraçado! Não. Não é engraçado.

 

Imagine-se nessa situação. A sua avó, ou seu avô, ou qualquer outra pessoa já idosa que te amou a sua vida toda, que te deu carinho, atenção, respeito. Essa pessoa que você ama muito também. Ama tanto, que nem se importa se ela já está com o rosto todo enrugado, as mãos distorcidas, e nem tem os dentes mais, mas sorri para você mesmo assim. Você ama tanto essa pessoa, que quer tirar uma foto dela, assim mesmo, com aquele sorriso de gengivas, e mostrar para o mundo o tamanho do seu amor. Então você tira uma foto e coloca na Internet.

Dias depois, a foto daquela pessoa querida, que você tanto ama, está sendo compartilhada por milhares de estranhos, com os dizeres “Ei, Fulano, vem aqui me dar um beijo!”. E todo mundo está rindo, caçoando, agindo como se ela fosse um palhaço, como se ela existisse apenas para diversão e entretenimento, e que não fosse digna de qualquer empatia.

Dói, né? Mas é assim que funciona. Essas pessoas fora dos padrões são pessoas. Elas não existem para o seu entretenimento. Elas têm o direito de tirar foto e colocar na Internet, como todo mundo, e você não tem o direito de pegar essas fotos e sair fazendo piadinhas por aí. Inclusive, é crime.

E isso vale para toda e qualquer pessoa, em qualquer situação. Inclusive para aquela mocinha na fila usando uma roupa que você considera feia. Meu bem, procure algum passatempo, alguma coisa para se distrair, porque o que está muito feio MESMO é esse seu preconceito.

Se você, por acaso, passar por uma foto dessas e achar muito engraçado, volta lá, olha bem para aquela foto, para aquela pessoa, e coloque-se no lugar dela. Imagine-se exatamente na mesma situação, e vai ver como perde a graça.

Então, vamos parar de compartilhar fotos de pessoas que não querem ter as suas fotos compartilhadas na Internet? Vamos?

Até porque, o que está errado mesmo é padronizar, e não estar fora dos padrões. Fica a dica.

;*

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