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22/04/2018 Artistas que alimentam as esperanças no pop coreano

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Quando comecei a gostar de K-pop e da cultura coreana de um modo geral, uma das coisas que as pessoas mais me perguntam é “Você quer ir morar na Coreia?”, e a minha resposta é sempre “Não”. Um dos grandes motivos para isso é que a sociedade coreana ainda é muito retrógrada em termos de sexismo, gordofobia, racismo, e outros tipos de preconceitos. Nós ficamos sabendo diariamente de reações muito negativas do fãs quando os artistas apresentam qualquer tipo de comportamento “fora dos padrões” e isso nos entristece muito.

Mas, honra seja feita. A Coreia está mudando! Aos poucos, e lentamente (como toda mudança cultural funciona), mas nós podemos notar que os artistas estão se manifestando mais a respeito dos tabus, assim como a própria sociedade está se tornando mais receptiva a essas mensagens. (mais…)

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15/04/2018 A Auto-Sabotagem da Ditadura da Beleza

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Venho planejando escrever sobre isso há muito tempo, mas nunca sei exatamente o que dizer, ou como dizer. É difícil colocar determinadas coisas em palavras porque elas mexem com uma parte muito íntima nossa, com coisas que fingimos não existirem, e transformá-las em texto lhes dá uma face, um rosto que nos provoca bastante medo.

Antes de tudo, vamos começar admitindo que a nossa sociedade é uma bosta governada por esses padrões de beleza inalcançáveis em que uma pessoa (especialmente as mulheres) só é vista como boa o suficiente se tiver as proporções consideradas “ideais” em termos de aparência física. Essa é a verdade nua e crua. E é uma coisa cultural, enraizada na sociedade, passada de geração para geração e gravada nas nossas mentes desde o momento em que nascemos, até nosso último suspiro. É algo tão profundo, tão bem plantado e cultivado nas nossas cabeças, que se torna quase impossível escapar, mesmo depois de tomar plena consciência do problema e decidir mudar isso.  (mais…)

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29/01/2018 Mulheres para curtir no K-pop

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Quem me segue nas redes sociais sabe que a minha vida agora (tirando meus cachorros) consiste 90% de k-pop. Fui abençoada com a existência desse que é mais do que um estilo musical, é todo um complexo cultural, lá no primeiro semestre de 2016, e desde então meus interesses foram consumidos quase completamente pelo k-pop, ao ponto de eu estar aprendendo coreano (mesmo sem intenção de ir para a Coreia). (mais…)

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05/06/2017 Doramas Desconstruídos – Weightlifting Fairy Kim Bok Joo

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Ultimamente eu tenho assistido muitas séries coreanas (mais popularmente conhecidas como doramas ou K-Dramas) e como sou mulher, feminista, e tenho algum bom-senso na cabeça, é óbvio que o machismo e o estereótipo de gênero não me passam despercebidos. Por melhores que sejam essas séries (e são mesmo, confiem em mim), algumas delas se destacam pelo avanço positivo em relação ao papel da mulher, enquanto outras insistem com aquela velha fórmula estereotipada, cheia de abuso disfarçado de romance.  (mais…)

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24/11/2015 Sobre mulheres “machistas”

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Ontem eu li uma postagem que me deixou muito triste. A Jessica, do Canal das Bee, informou que os seguidores do Bolsonaro estavam se unindo para denunciar a página no Facebook, e “descurtindo” os vídeos do canal no YouTube, com a intenção de derrubar ambos.

Quando abri a postagem original dela no Facebook, vi os comentários de centenas de pessoas, homens e mulheres, atacando-a de todas as formas possíveis. Quando questionados sobre o motivo de estarem fazendo aquilo, a resposta é “Não é porque ela é feminista, ou porque ela é gorda. É porque não gostamos do conteúdo dos vídeos”. Mas os comentários eram, em geral, xingamentos, ofensas contra feministas, ofensas contra gordas, ofensas contra lésbicas, ofensas contra homossexuais. Ofensas, ofensas, e mais ofensas. O que prova que a motivação é exatamente o que eles dizem não ser, e prova que eles são machistas, homofóbicos, gordofóbicos (E como eles odeiam qualquer termo que termine com “fóbico”!), entre outros.

Mas a questão não é essa. Homens machistas, privilegiados pelo patriarcalismo, não nos surpreendem agindo dessa forma. São mimados, infantis, como aquela criança que, quando começa a perder no jogo, derruba o tabuleiro e não deixa mais ninguém brincar. O que me surpreendeu, de verdade, foi a quantidade de mulheres agindo da mesma forma, atacando-a por ser feminista, por ser lésbica, por ser gorda, atacando-a de todas as formas, incapazes de enxergar que elas são exatamente iguais a nós.

Delas, eu fiquei com pena. São tão confiantes de que ficar ao lado do patriarcalismo, e agir conforme as regras do jogo dele, as tornam protegidas, superiores, iguais aos homens, que sequer questionam se é assim mesmo que funciona. Me lembram aqueles negros, escravos, que se tornavam capatazes. Puniam seus irmãos, ajudavam os brancos, seus donos, a manter os outros negros “na linha”. Com isso, se julgavam numa posição privilegiada, superior aos outros negros. Quase esqueciam que ainda eram escravos, e que, quando fosse conveniente ao branco, seriam tratados exatamente como todos os outros.

Para essas mulheres, eu tenho um recado:

Um dia, o patriarcalismo vai se voltar contra você. Não é uma suposição, é uma certeza. Porque isso vai acontecer. Na verdade, já aconteceu, você só ainda não percebeu. Ele é contra você. E se manifesta nas pequenas coisas do seu dia-a-dia. Naqueles pais que dizem que você precisa “cuidar” da casa porque é a única filha mulher. Naquele namorado que tenta ditar o que você pode vestir. Naqueles familiares que estão sempre cobrando de você um casamento, e filhos, sem se importar com a sua carreira. Naquele patrão que te paga um salário menor do que o dos seus colegas homens. Naquele cara que ameaça vazar suas fotos nuas se você não fizer o que ele quer. Naquele marido que não faz nenhuma tarefa doméstica e ainda te cobra se você não fizer. Naquele parceiro que te convence de que é sua obrigação fazer sexo com ele. Naquele sentimento de que você precisa ser mais magra, mais sarada, mais bonita, mais alguma coisa, para ser aceita pela sociedade. Até mesmo nesse sentimento de que está tudo bem, porque você já é tudo isso.

Você ainda não é capaz de perceber que o patriarcalismo não está ao seu lado, porque segue as regras. Mas, um dia, em algum momento da sua vida, você vai estar cansada demais para arrumar a casa, e vai ser castigada por isso; vai querer usar uma roupa que te deixa sexy, e será chamada de puta; vai querer focar na sua carreira profissional, sem pensar em marido e filhos, e vai ser chamada de titia, fracassada, mal amada; vai querer um salário igual aos dos seus colegas, ou melhor, e vai correr o risco de ser demitida; vai querer denunciar o cara que te ameaçou, e as pessoas vão dizer que a culpa é sua; não vai estar a fim de fazer sexo com o seu marido, e ele vai ameaçar te trair; vai engordar alguns quilinhos, ou emagrecer mais do que a sociedade considera aceitável, e será chamada de relaxada, gorda, vareta, etc… E aí, talvez, perceba que o patriarcalismo não se voltou contra você. Na verdade, ele nunca esteve ao seu lado.

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Quando isso acontecer, quando o patriarcalismo e o machismo mostrarem a sua verdadeira face, nós, feministas, vamos estar aqui. Mas não vamos julgá-la. Não vamos dizer “eu avisei”, não vamos dizer que “você mereceu, porque não acreditou em nós”. Não vamos fazer nada disso, porque sabemos exatamente o que você está passando. Sabemos como é estar no seu lugar, porque todas nós já estivemos aí.
Quando você acordar para a verdade, vamos estar de braços abertos para te receber, te ajudar, te confortar e, sempre que necessário, lutar ao seu lado.
E vamos dizer, com todo orgulho: Seja bem-vinda!

Porque você ainda não é capaz de enxergar, mas nós não somos inimigas, não somos rivais, somos irmãs, e precisamos ficar juntas.

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