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31/12/2011 Sobre desrespeito religioso

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Quem me conhece, sabe que nasci em uma família basicamente católica. Meus pais são católicos, minha mãe é catequista, e toda a minha família tem uma base religiosa muito forte. Mas eu sou bruxa. E ao contrário do que todo mundo pensa quando digo isso, não enfrentei preconceito, não fui discriminada dentro da minha família por ter feito uma escolha diferente, nem tive que ouvir sermão dos meus pais dizendo absurdos sobre a minha forma de pensar. Pelo contrário. Ao perceber que eu estava realmente interessada e feliz com a minha escolha, minha mãe foi a primeira a me apoiar.

Na minha família, nós aprendemos a ter respeito pela forma de pensar dos outros, assim como suas escolhas. Eu não acho que a minha crença seja a única certa. Meus pais também não pensam isso sobre a crença deles. Acreditamos que as nossas crenças sejam as melhores para nós, mas não necessariamente para os outros. Mas sabemos que a maioria das pessoas não pensa assim.

Quando comecei a frequentar fóruns e comunidades sobre bruxaria, o que encontrei foi uma grande comoção de pessoas criticando o Cristianismo e todas as religiões cristãs, como se eles fossem os grandes tiranos do mundo, e falando como se eles estivessem errados. Bom… Isso me faz pensar que essas pessoas acham que sua crença é mais “certa” do que a deles. Foi quando percebi que não importa a forma de pensar, não importa a religião, o time de futebol, ou partido político. Enquanto formos humanos, sempre vai ter alguém achando que o seu é melhor do que o dos outros.

Mas havia um grupo que eu pensava ser mais esclarecido do que todos os outros e, por isso, mais tolerante e respeitoso: os ateus. Afinal, ateus tendem a ser pessoas da ciência, pessoas que estão mais interessadas em desvendar os mistérios científicos e encarar os fatos, do que ficar por aí fazendo críticas às demais formas de pensar. Mas eu estava enganada…

O que tenho visto por aí, são pessoas que se dizem ateístas, mas gastam seu tempo fazendo vídeos, memes, e todo tipo de inutilidade virtual em prol de um objetivo preconceituoso e fútil: criticar as religiões.

Quando o sujeito me traz um argumento construtivo e diz “Olha, essa é minha forma de pensar”, eu acho digno e o respeito, mesmo que não concorde com o que ele diz, porque ele está defendendo a forma de pensar dele, e não simplesmente ofendendo a minha. Mas quando o infeliz chega dizendo “Mimimi, a sua crença é uma droga, vocês são um bando de malucos, hahaha”, eu sinto nojo do sujeito.  Porque isso só prova que ele sequer tem uma opinião própria, e a única coisa que ele sabe fazer é ofender, porque a ofensa é a arma do ignorante.

E quando um ateu de verdade vem reclamar que os religiosos são muito ofensivos e agressivos em seus comentários, me dá vontade de mostrar para eles que alguns dos ateus não são diferentes disso.

O que eu quero com esse post, não é ofender os ateus, nem dizer que eles são ignorantes. O foco aqui, é o que eu disse ali em cima:  Enquanto formos humanos, sempre vai ter alguém achando que o seu é melhor do que o dos outros. Porque é assim que funciona. Não importa a crença, não importa o time, não importa a nação, sempre vai ter um babaca ignorante no meio de pessoas sensatas, que vai ser intolerante e desrespeitoso, e que vai ser tomado como referência pelos babacas ignorantes dos demais grupos, para que se justifique iniciar uma guerra disputa entre eles.

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