22/01/2017 Aos melhores 10 anos da minha vida

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Meu bebê partiu no dia 03 de janeiro de 2017, às 7h da manhã. Virou estrelinha, como dizem por aí. Mas já adianto que este não é um post triste, porque gosto muito mais das coisas que me deixam feliz.

Durante 10 anos, o Toddy foi, sem qualquer exagero, a razão da minha existência. Se eu arrumei emprego e decidi estudar pra melhorar de vida, foi por causa dele. Porque eu precisava comprar ração, pagar vacina, dar remédio, e jamais aceitei para ele qualquer coisa menos do que o melhor. Durante 10 anos, eu fui a família dele, e ele foi a minha. Eu comecei e terminei namoros, mudei de casa várias vezes, casei e me separei, mas a constante na minha vida era ele, e a constante na vida dele era eu. Desses 10 anos, nos seis últimos, não houve uma única noite que não tenhamos dormido juntos, na mesma cama (às vezes tão juntinhos, que eu tinha medo de rolar na cama e passar por cima dele – adquiri o hábito de dormir igual uma múmia por causa disso XD).

Ele era inteligente, carinhoso, paciente, temperamental, cheio de personalidade (mas muito compreensivo), cheio de pequenas manias, e tão educado que deixava as pessoas impressionadas. O Toddy fez com que meus últimos 10 anos fossem os melhores da minha vida. Ele me tirou de depressão, me amou mais do que eu seria capaz de amar a mim mesma, e me fez absolutamente feliz durante todo esse tempo.

Por isso, e por vários outros motivos, eu não chorei quando ele morreu. Meu bebê partiu em paz, em casa. Fiz questão de ficar ao lado dele o tempo todo, durante cada segundo, para que ele se sentisse, em seus últimos momentos, seguro e amado como eu me senti durante 10 anos. E foi assim que ele partiu.

Se eu sinto saudade? Sinto sim, claro. Mas não é uma saudade triste. O que ele plantou aqui dentro foi muito maior e muito melhor do que qualquer sentimento ruim que possa querer se aproximar. Às vezes, nos pequenos detalhes do dia-a-dia, surge a lembrança dele. Quando a janela faz barulho com o vento, e me lembro do quanto ele tinha medo de qualquer coisa que fizesse barulho dentro de casa, eu sorrio. Quando saio do banho e vejo o tapetinho do banheiro vazio, sem aquela coisinha preta enroscada ali me esperando, também sorrio. Quando volto pra casa e não ouço o latidinho dele de felicidade para me receber, também sorrio.

Sorrio o tempo todo que me lembro dele, porque ele me fez feliz demais. Ficar triste com a partida dele seria como desperdiçar todo esse tempo maravilhoso que vivemos juntos, e do qual eu não me arrependo nem um segundo. Viveria tudo de novo, cada momento, cada sapato estragado quando ele ainda era bebê, cada choro de madrugada pra eu ajudar ele a subir na cama, cada latido repentino que me davam sustos terríveis, cada centavo gasto com brinquedos, veterinário, remédios. Tudo. Porque tudo valeu a pena.

Foram os melhores 10 anos da minha vida. =)

E agora, preciso focar no outro Preto, que está mais carente do que nunca, sofrendo demais com a morte do irmão, e precisa que eu faça a vida dele tão feliz quanto o Toddy fez a minha. ;)

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